Teste Vyda Orion | Audio & Cinema em Casa 273

Jorge Gonçalves

 

Repetindo um pouco aquilo que já disse na Audio & Cinema em Casa n.o 270, quando do teste do cabo de sector da VYDA, recordo aqui que a marca descende do fabricante italiano de gira-discos high-end V.Y.G.E.R., que virou as suas atenções para os cabos quando Enrico Datti criou uma nova empresa orientada exactamente para a fabricação deste tipo de acessórios, a VYDA Laboratories, a qual lançou uma linha completa de produtos de referência com tratamento altamente sofisticado em termos metalúrgicos.

No caso vertente vou falar de um cabo de interconexão, novamente com o nome VYDA ORION e onde se utilizam em profusão os conhecimentos de metalurgia de alta precisão adquiridos na fabricação de gira-discos: condutores maciços de cobre ultra-seleccionado de classe II (cobre de elevadíssima condutividade utilizado para transporte de correntes muito elevadas), tratado criogenicamente desde a temperatura ambiente até à do azoto líquido – cerca de 200 graus negativos; configuração de blindagem no tipo semibalanceado; estrutura geométrica do tipo helicoidal optimizada em função do com- primento do cabo e com controlo de ressonância; valores de L, C e R igualmente optimizados em função do comprimento do cabo; nível elevado de isolamento mecânico dos cabos com recurso a materiais amorfos inelásticos e Teflon; quatro níveis de isolamento em relação a RFI/EMI, com várias interposições de camadas de blindagem não magnética de cobre e alumínio; terminações não magnéticas no pino de contacto, banhado por camadas múltiplas de ródio e platina, cada uma delas com 15 micrómetros; peças metálicas de terminação e fichas RCA trabalhados directamente no torno a partir de blocos de aço inoxidável não magnético R.303.

Tal como o cabo de alimentação de sector ORION, este cabo de interligação foi inserido no meu sistema de áudio forma- do por: colunas Quad ESL 63 Pro, amplificação Constellation Inspiration 1.0 (prévio e amplificador de potência), leitor de CD/ SACD Accuphase DP-85. Neste caso optei por inserir o cabos entre o leitor de CD’s da Accuphase e o prévio, situação que me pareceu a mais lógica em face de estar habituado a utilizar a ligação directa entre o prévio e o amplificador de potência, a qual faz o bypass a um dos andares de amplificação deste último, e esta interface ape- nas funciona com ligações balanceadas.

Estou habituado a ouvir cabos de boa qualidade e preços relativamente eleva- dos mas não deixei de ficar muito bem impressionado com a performance do cabo da VYDA, que pura e simplesmente nos coloca dentro da música, como se estivéssemos a falar mano a mano com os intérpretes, fazendo-nos recordar porque é que gostamos de música. Nenhum cabo é uma panaceia que só por si põe tudo a tocar bem, o sistema já deve ser equilibrado antes de nós o colocarmos nele, e o ORION, lá pelo facto de nos colocar no meio dos músicos, não nos coloca uma guitarra na mão e nos faz sentir que somos o Jimmy Hendrix. Mas compelenos a ouvir mais e mais música e mesmo a comprar discos novos ou abrir os que temos guardados para ocasiões especiais. Não tem uma preferência especial por este ou aquele tipo de música, é limpo e transparente para todos os géneros e faz com que os sons que saem das colunas sejam mais inteligíveis e correctos, não apenas em termos tonais como no que se refere a melodia, harmonia, tempo e forma.

E o mais interessante é que para sentir estas melhorias não precisamos de estar com o ouvido «em cima dele» ou comparar até à exaustão o mesmo troço de uma peça musical ouvido através dele ou do cabo que antes estava no sistema, que neste caso é normalmente um Black Rhodium Requiem. O VYDA ORION apresenta uma insofismável combinação de coerência e discernimento que faz com que seja possível ouvir música num sistema a diversos níveis de volume sem que nunca exista o mínimo traço que se esteja a perder seja o que seja em termos de equilíbrio dinâmico ou interpretativo. Subitamente tem-se uma noção muito mais completa do sentido da música e da contribuição de cada intérprete para o resultado final, como se a música passasse a ter muito mais sentido ou os músicos tocassem melhor, embora esta última parte seja algo que nenhum cabo seguramente pode fazer. Agora que a sensação está lá, disso não tenham dúvidas.

O preço deste cabo faz com que a sua aquisição não seja um investimento trivial mas, como sempre, há que ter em conta também os valores relativos dos outros equipamentos e o do sistema em si. Em termos metafóricos, é como se tivesse já adquirido uma casa e se esteja a pensar agora em mobilar a sala. Claro que não é barato comprar a mobília mas, se tivermos em conta o preço das casa em Lisboa hoje em dia, esse investimento fazse com muito menos esforço do que quando se assinou a escritura de compra da casa.

 

 

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